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08/02/2010 - 08h05

Rio Claro quer expandir roteiro turístico para a zona rural

Turismólogo já esteve visitando a região da Mata Negra

Da Redação da TV Claret

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A prefeitura de Rio Claro estuda ampliar o programa Estação Turismo – uma jardineira que leva rio-clarenses e turistas para conhecer os pontos históricos da cidade – para a zona rural do município. Argumentos para que a cidade volte os olhos (e bem abertos) para o campo não faltam: há muito para se ver e ouvir, conhecer e reconhecer. Como a passagem do tempo não costuma perdoar patrimônios relegados ao vento, à chuva e aos cupins, pressente-se que qualquer ação neste sentido tome ares de prioridade antes que nada mais possa ser feito para a preservação do que ainda resta de pé na zona rural.

As conversações para traçar um roteiro de turismo rural no município já começaram. Movimentam as secretarias de Turismo e Agricultura e seus respectivos titulares, Carlos Alberto Teixeira De Lucca e Renê Neubauer, bem como suas equipes. Ambos estão convencidos de que a implantação de um projeto desta natureza demandará muito trabalho, cooperação e vontade, especialmente da população que reside no campo. "Não tem outro jeito, terá de ser por etapas, degrau por degrau", admite De Lucca. "O momento, contudo, é este", assinala Neubauer convencido de que a recuperação do patrimônio arquitetônico que ainda resta já representará um grande desafio.

Um encontro com os donos das propriedades onde estão estes pontos turísticos espalhados pelas matas, pastos e canaviais, alguns deles já tombados pelo Condephaat (órgão estadual) será realizado no Centro Comunitário da Mata Negra, região que é o principal alvo deste projeto embrionário. Na quinta-feira, 4, o secretário De Lucca e o turismólogo Ronei Grella, assessor da Secretaria de Turismo iniciaram a aproximação com essas famílias durante visita de ambos àquela área. "Trocamos informações, adiantamos um pouco daquilo que pretendemos quanto à efetivação do projeto e sentimos que o resgate, a preservação dessa história interessa a todos", disse Ronei.

O principal argumento a favor do projeto é a sua auto-sustentabilidade, afirmam De Lucca e o secretário Neubauer. Hoje, este patrimônio representado por construções que remontam ao período áureo do café, à ferrovia, aos horrores da escravatura, mas que também evocam a história das olarias e regride a eras geológicas distantes está em processo de desaparecimento. Caso a idéia prospere, no entanto, as construções essenciais, que ainda permitam restauro, podem ser resgatadas para as próximas gerações, com a participação dos próprios proprietários e do poder público.

A auto-sustentabilidade do projeto é assegurada pelo retorno financeiro que este roteiro de turismo rural propiciaria. Isto porque as grandes fazendas de outrora foram reduzidas a pequenas propriedades rurais onde a agricultura familiar impera. Por conta desta característica, produtos típicos da fazenda, como as compotas, doces caseiros, pães e a própria paisagem funcionam como grandes atrativos para as pessoas da cidade. Não por acaso, a reunião marcada para este domingo na Mata Negra pode resultar na decisão de se iniciar experimentalmente o projeto, possivelmente ainda em fevereiro ou no início de março. O primeiro passo é obter a adesão dos moradores da Mata Negra para que se monte um suporte básico de recepção para os visitantes da cidade. Pensa-se num café colonial, talvez um almoço preparado no fogão à lenha e, além da gastronomia, também a visitação de alguns locais históricos, como a sepultura do Barão de Grão Mogol, a casa onde este personagem viveu e outros cenários.

Caso o projeto evolua como se imagina, o circuito turístico rural abrangeria todos os distritos, Itapé e pontos isolados, que possam ser aproveitados turisticamente. As propriedades incluídas no roteiro serão incentivadas a melhorar a infra-estrutura para receber os turistas, desenvolver e comercializar produtos típicos, garantindo renda adicional na proporção dos investimentos e da criatividade que demonstrarem. A formação de guias locais, oriundos das próprias famílias de residentes ou das comunidades a serem incluídas no roteiro também está prevista, juntamente com uma consultoria do Sebrae, que poderá ser de grande utilidade para a estruturação o projeto.

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